Chove lá fora
O que a chuva te lembra,te faz sentir? Tome um banho de chuva,de vento,de lua,de sol. Embriague se no doce veneno da vida.
Quinta-feira, Março 29, 2007
Terça-feira, Dezembro 12, 2006
Terça-feira, Dezembro 05, 2006
universidade lança curso superior de escritor
Karina Costa (colaboração)especial para o GD
Escrever livros não é mais uma tarefa somente de quem tem habilidade. A Universidade
Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, lançou o curso superior
Formação de Escritores e Agentes Literários.
Pioneiro no Brasil, o curso tem como objetivo profissionalizar a área. Além do domínio
de técnicas de linguagem e mídia, o aluno terá capacidade de criar e formular livros,
planejar negócios e desenvolver produtos do mercado editorial.
O profissional poderá trabalhar em organização de livros, editoras, empresas de
comunicação e cultura, produtoras de materiais, agências editoriais e órgãos públicos e
privados.
A universidade também mantém parceria com a Academia Brasileira de Letras e
Câmara Rio-grandense do livro, em que os alunos terão a oportunidade de manter
contato com os principais escritores brasileiros.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cbn/capital_161106g.shtml
Sexta-feira, Novembro 24, 2006
O sonho da menina karina :)
A beleza de uma borboleta tem inicio já no arrastar da lagarta, vendo suas asas crescerem de encontro ao vento,rumo à liberdade...
Terça-feira, Novembro 21, 2006
Oo Mistério da escada
Cidade de Santa Fé, estado do Novo México, Estados Unidos. Lá, um mistério que já dura 130 anos atrai fiéis e turistas. Destino: Capela Loretto.Cerca de 250 mil visitantes por ano procuram a capela em busca de uma resposta. O que torna a capela diferente de todas as outras é que o personagem do suposto milagre ocorrido nela é uma escada.“Pode ser que exista algo de milagroso, porque a escada foi construída em pouco tempo, com pouco equipamento”, explica uma visitante.Quando a capela ficou pronta, no fim do século 19, as freiras sentiram falta de uma escada que a
s levasse até o pavimento superior. Elas passaram nove dias rezando para São José, que era carpinteiro.Um desconhecido bateu na porta da capela no último dia. Disse que era carpinteiro e que poderia dar conta da tarefa. Ele construiu, sem ajuda de ninguém, a escada que é considerada um prodígio de carpintaria: ninguém sabe como ela ficou de pé. A escada não tem um suporte central.Depois, o carpinteiro - que não usou prego nem cola para construir a escada - sumiu sem deixar vestígios. Nem esperou para receber o pagamento.Uma lenda nasceu na cidade de Santa Fé, que passou a acreditar que o carpinteiro na verdade era São José, enviado por Jesus para atender as súplicas das feiras. Desde então, a escada passou a ser chamada de “milagrosa”, e virou ponto de peregrinação e atração turística.“Há três mistérios aqui. O primeiro mistério é que não se sabe, até hoje, quem é o homem que construiu a escada, a portas fechadas. Segundo mistério: arquitetos, engenheiros e cientistas dizem que não entendem como a escada se equilibra. E o terceiro mistério: de onde veio a madeira? Já fizeram análises e não existe nada parecido em toda a região”, explica o porta-voz da igreja.Um detalhe só reforçou a crença no suposto milagre: a escada tem 33 degraus, a idade de Cristo. O caso nunca foi investigado pelo Vaticano, mas a lenda ganhou vida. A cada ano, cerca de 200 casais escolhem a capela - e a escada - como cenário de casamento.
Segunda-feira, Novembro 13, 2006
Domingo, Novembro 12, 2006
domingo
Mas pq se esconde atrás dessas nuvens cinzentas?
É.Hj.Um domingo....
Quinta-feira, Novembro 02, 2006
waterloo
Vou deixar a poesia que é o ponto chave do livro falar por si só :)
Cafunés e muita Luz
[ A Rosa e o Cervo
Ao deparar com ela na escuridão,
ele encontrou apenas uma inacabada criatura de Deus,um
vago projeto de intenção,uma acendedora de lampião,suave
Sua mão pequenina se estendeu para despertar o pavio com a chama
E ele viu que seus olhos eram tempestuosos...
Nos versos subsequentes detalhavam o relacionamento entre o homem,um construtor de navios conhecido como o "Cervo", e a mulher,uma acendedora de lampião conhecida como a"Rosa" .Embora o poema tenha um final feliz e os personagens terminem passando o resto de suas vidas juntos,no último verso a Rosa tem um sonho horrível,um pesadelo no qual o Cervo a abandona:
E ela já não era flor para ele,
mas uma simples mulher,imperfeita.
Ela não acreditava que ele fosse tão cruel.
Mas ele a deixou ali,uma rosa por toda a eternidade,
depois virou lhe as costas e partiu.
"-Mas por que Slayton lhe dá esse sonho horroroso?-perguntou Maude a Stephen quando ele terminou de ler o poema-Ela agora tinha tudo o que queria,e os dois estão felizes juntos.Por que sua felicidade tem que ser estragada?"
"-Acho que,mesmo quando a verdadeira felicidade chega,sentimos medo de que ela possa acabar.MAs você tem razão,eles estão felizes no fim.Slayton está nos contando que a rosa vai sempre ter suas angústias,porém,apesar dessas preocupações,os dois ficarão juntos para sempre."
Stephen Kendall lera o poema inteiro em voz alta para ela,todas as estrofes,dando-lhe vida com sua voz.Foi como se ele tivesse vivido uma amor parecido,pensou MAude,recostando-se no estofamento de couro marrom e olhando seu tutor à luz que atravessava o vidro da janela do estúdio.Como podia falar de modo tão comoventedo amor romântico se nunca o tivesse experimentado?Convenceu-se que Stephen Kendall tinha um casamento perfeito e que sua mulher era alguém parecida com ele:jovem,bonita e terna.Era tudo o que desejava para ele,percebeu Maude, e tudo que ela desejava para si mesma algum dia.]
trecho retirado do livro Estação Waterloo de Emily Grayson
Sábado, Outubro 28, 2006
momo e o sr. do Tempo
“Deixou de ser o senhor Fusi, barbeiro,
e virou um fantasma de si mesmo, vocês me entendem?
Se ele fosse o único, eu diria que ficou meio louco, mas
para onde olhamos damos com pessoas assim.
E a cada dia aparecem mais e mais. Agora, até alguns dos
nossos velhos amigos estão começando a ficar desse jeito.”
Michael Ende, “Momo e o senhor do Tempo”, p. 76
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
trouxeste...:?
Carlos Drummond de Andrade
Sexta-feira, Outubro 20, 2006
mistério
Parado inocentemente a minha espera
Ele me aterroriza
Tem este poder sobre mim
E em entrego
em seu olhar,que não consigo definir
as palavras que me dirige
e não consigo entender
Me aterroriza
pq ele é o mistério
que ronda dentro de mim
Quarta-feira, Outubro 04, 2006
Da Solidão Completa
E de repente eu me dou conta que estou absolutamente só.
É evidente que já estive sozinho muitas vezes este ano. É evidente que em algum lugar, há duas horas de vôo, minha mulher me espera. É evidente que depois de um dia agitado como o de hoje, nada melhor que caminhar pelas ruelas e becos da cidade antiga, sem ter que conversar nada com ninguém, apenas contemplando a beleza ao meu redor. Só que esta noite, por alguma razão que desconheço, este sentimento de solidão é absolutamente opressor, angustiante - não tenho com quem dividir a cidade, o passeio, os comentários que gostaria de fazer.
Claro, tenho um celular no bolso e um número razoável de amigos aqui, mas acho que já é muito tarde para telefonar para quem quer que seja. Considero a possibilidade de entrar em um dos bares, pedir algo para beber - com quase toda certeza alguém me reconhecerá e me convidará para sentar em sua mesa. Mas penso também que é importante ir até o fundo deste vazio, desta sensação que ninguém se importa com o fato de existirmos ou não, e por isso continuo caminhando.
Vejo uma fonte e lembro-me que estive ali no ano passado, com uma pintora russa que acabara de ilustrar um texto que havia escrito para Anistia Internacional; naquele dia quase não trocamos palavra, apenas escutamos os pingos da água e a música de um violino que vinha de longe. Tanto eu como a pintora russa estávamos imersos em nossos pensamentos, mas ambos sabíamos que, embora distantes, não estávamos sozinhos.
Ando um pouco mais, em direção à Catedral. Olho para outro lado da rua, uma janela está semi-aberta e lá dentro posso ver uma família conversando; a sensação de solidão aumenta avassaladoramente por causa disso, o passeio noturno agora é uma jornada noite a dentro, em busca de compreender o que é sentir-se absolutamente só.
Começo a imaginar quantos milhões de pessoas neste momento estão se sentindo absolutamente inúteis, miseráveis - por mais ricas, charmosas, encantadoras que sejam - porque também nesta noite estão sós, e ontem também, e possivelmente estarão sozinhas amanhã. Estudantes que não encontraram com quem sair esta noite, pessoas de idade diante da TV como se fosse a última salvação, homens de negócios em seus quartos de hotel, pensando se o que fazem tem algum sentido, já que tudo que estão sentindo agora é o desespero de estar só.
Lembro-me de um comentário feito durante o jantar: alguém que acabara de divorciar-se dizia "agora tenho toda a liberdade com que sempre sonhei." É mentira. Ninguém quer este tipo de liberdade, todos nós queremos um compromisso, uma pessoa para estar ao nosso lado vendo as belezas de Genebra, discutindo as visões da vida, ou até mesmo dividindo um sanduíche. Melhor comer metade de um que come-lo inteiro, sem ter alguém com quem compartilhar nada, nem mesmo um pouco de comida. Melhor ficar com fome do que ficar sozinho. Porque quando você está sozinho - e eu falo da solidão que não escolhemos, mas que somos obrigados a aceitar - é como se não fizesse mais parte da raça humana.
Começo a caminhar para o lindo hotel do outro lado do rio, com seu quarto super confortável, seus empregados atenciosos, seu serviço de primeiríssima qualidade. Daqui a pouco vou dormir e amanhã esta estranha sensação que - não sei por que razão - me atacou hoje, será apenas uma lembrança remota e estranha, porque não terei nenhum motivo para dizer: estou só.
No caminho de volta, cruzo com outras pessoas solitárias; elas tem dois tipos de olhares: arrogantes (porque querem fingir que escolheram a solidão nesta linda noite) ou tristes (porque entendem que não há nada pior na vida). Penso em conversar com elas, mas sei que têm vergonha da própria solidão. Talvez seja melhor que cheguem ao limite e então entendam que é preciso ousar, falar com estranhos, descobrir lugares para encontrar pessoas, evitar ir para casa e assistir TV ou ler um livro - porque se fizerem isso o sentido da vida estará perdido, a solidão terá se transformado em um vício, e a partir de então o longo caminho de volta em direção ao ser humano já não será mais encontrado
Paulo Coelho.
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
Prisão
Na espera,na espreita
Que reside dentro de você.
Existe uma garotinha que observa entre
Olhares assustados,
Olhares estes que nunca são correspondidos
E o garotinho
E a garotinha
Sussuram por entre frestas e sonhos
Não Lembrados
Que existem, que vivem
Que sonham
Dentro de seu Ser
Mas choram acorrentados
Pois seu Ser, está preso e prende eles
Prisão feita de medos,barro e experiencias.
Que reside no passado
E que teimoso, transporta ao presente...
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
sem titulo
Os artistas pintores exercem uma rara magia em suas telas,captam tristezas,alegrias,mistérios,essencias sutis que pairam no ar,estes também possuem uma visão diferenciada, mas acho que não os chamaria de mestres.
Os escritores com seus montes de papéis e anotações,livros,palavras rabiscadas aqui e ali juntam situações, por vezes conduzem multidões,e se descobrem a si proprios em suas palavras, ah,os artistas pintores tb,se desvendam a si proprios em suas imagens..
Não os chamaria de mestres, mas gostaria ,me soa melhor ao chama-los de pessoas de fé.
Para aqueles que conseguem verdadeiramente sentir o que é a fé.
Somos deuses,somos demônios,somos anjos,somos elfos,somos gnomos,somos duendes,ou talvez não sejamos nada,em um tudo compartilhado.
Por algum tempo estive batendo em uma tecla, não busque no exterior, as respostas estão dentro de você.Mas será que estão mesmos? Não estão espalhadas em mim e em partes de mim q andam por aí...opa,opa...aí virei um E.T
Não tentem entender quem sou eu, apenas uma pessoa q. busca ;)
Quarta-feira, Agosto 16, 2006
Guerreiro do Vento
Estava na espreita sobrevoando aquelas montanhas com a minha atenção voltada para o diferente, o jamais visto, sentido ou percebido. Tudo ali era novo. Sentia necessidade dessa experiência quando retornei ao meu habitat. Meu intento era o de me deixar surpreender, já que todas as minhas historias já haviam sido vividas e eu queria as viver.
Podia sentir o calor suave do Sol daquela manhã de outono enquanto voava, planava, mergulhava e brincava como se estivesse testando minhas asas e recuperando a sensação de liberdade nunca vivida e sempre sonhada. Sentia o gosto do Vento penetrando pela minha narina, escorregando pelo meu bico e língua, inundando meu interior, oxigenando sangue e vísceras e me fazendo desejar mais emoções. Ao mesmo tempo, sentia-o acariciando minhas penas e facilitando todo esse reencontro com a minha tão sonhada liberdade.
Meus olhos registravam as imagens das tocas escondidas pela vegetação e pedras, dos animais que poderiam servir de alimento, das arvores e galhos mais altos e protegidos onde pudesse pousar tranqüilamente naquela noite.
Soltava meu canto anunciando minha chegada e abria meus ouvidos para receber a voz do silencio, do meu eco e do som dos Ventos externos se comunicando com o meu Vento interno, companheiros e cúmplices dessa jornada. Estava colocando em pratica tudo aquilo que eu sabia, mas ainda não tinha vivido: meu instinto e o conhecimento da minha espécie, dos meus ancestrais e minha historia.
O Vento do Sul, morno e tranqüilo, me acompanhava com suas rajadas suaves, facilitando meu reaprender, meu readaptar àquela condição. Com ele vinha um aroma de chuva para o final da tarde e eu me dirigia para o Leste, para Casa. Resolvi descansar um pouco naquelas montanhas do Norte para recuperar minha força e energia antes de seguir adiante, já que aquela era a minha primeira grande viagem através das Quatro Direções.
Ao sair do Oeste tinha conseguido realizar uma parte da minha historia da qual fui apenas um expectador, tinha tido poucas oportunidades de mudar fatos até então. Ali no Norte eu consolidaria minha segurança, estabilidade e força para voltar ao Leste, a minha origem, e tudo aquilo estava sendo uma experiência excitante e eu estava consciente e presente em mim mesmo.
Sendo eu um Gavião criado em cativeiro desde meus primeiros meses e com meu instinto adormecido, estava resgatando o poder de voar alturas inimaginadas. Desde filhote fui criado e alimentado por um Homem que me arrancou das minhas primeiras experiências selvagens, me aprisionando, afastando das montanhas e matas e me obrigando a viver a sua historia de faz de conta que ele era meu dono. Curioso é que esse Homem também não sabia o que era ser livre e também estava preso a algo que não era o seu destino.
Por longos meses nos observamos e isso nos aproximou de uma forma diferente. Ele tinha se tornado um especialista em falcoaria - a arte milenar de treinar falcões/gaviões e estava me adestrando com a finalidade de afastar Urubus das áreas próximas ao aeroporto da sua cidade. A simples presença de Gavião/Falcão em uma região, basta para afugentar as aves indesejadas. Somos predadores naturais e ameaçamos as demais aves e roedores que podem representar perigos à saúde humana ou ameaças ao meio ambiente.
Ele conversava comigo e me dizia que eu deveria me orgulhar porque meu papel era de ser um aliado no controle de pragas urbanas e rurais. A quem ele queria enganar?
Pena que nunca entendeu meus piados que lhe afirmavam que eu não precisava estar preso, ser adestrado para cumprir meu instinto, para ser aquilo que sou e sempre fui. Gabava-se de estar me protegendo das armas de fogo, já que com o aparecimento delas, passamos a ser perseguidos, competíamos com os caçadores pelas presas.
Homem pensava que estava me treinando até que percebeu que a presa era ele, eu estava lhe ensinando muito mais sobre cumprir sua própria historia e destino. Ele aprendeu com seu pai a arte e jamais teve coragem suficiente para abandonar aquele caminho que não lhe pertencia. Agia mecanicamente e era infeliz, mas a semente já tinha germinado e nós dois estávamos cuidando dela em sintonia. Naquele momento estávamos presos ao nada.
Enquanto voava, me recordava dos momentos que passamos juntos e da cumplicidade que existia nos olhares e gestos daquele Homem tentando compensar sua dor de me ver preso e atado àquela condição. Sabia que tinha tocado seu coração e podia ler seus pensamentos de como seria ser retirado da sua historia e lenda pessoal para viver a de outros. A Historia de nós dois.
Aquele Guerreiro estava se adestrando, tentando se manter longe de sua natureza selvática. Nossa relação era diferente da que ele mantinha com os outros Gaviões. Eu tinha acesso a sua essência, falava com seu instinto e, apesar de me ter prisioneiro, pressentia que eu o libertaria da prisão que ele mesmo se colocou. Algo nos meus olhos, ele dizia.
À medida que me afastava daquela cidade e entrava floresta adentro, minha capacidade de reviver meu instinto era infinita. Quanto mais minhas asas batiam, mais me entregava ao Vento, brincava com as Nuvens e mais próximo de mim chegava.
Na madrugada do dia anterior, meu companheiro de jornada Seres do Trovão resolveu adiantar os ponteiros do destino e enviou seus Raios junto com os Ventos das Quatro Direções ao meu encontro. Assim que um dos raios dos Seres Luminosos atingiu o local onde eu estava preso, o irmão Fogo se alastrou e o caos se instalou naquele pedaço de terra. Homem saiu em disparada, assustado com a cena e com medo do que poderia ter acontecido comigo. À medida que ele corria para me salvar, foi percebendo o pavor dominando seu corpo e mente e entendeu que suas reações e instinto estavam corrompidos pela falta de sintonia com seu lado selvagem e primitivo. Sentiu que todas as suas reações eram mecânicas, cópias autenticas de algo que não lhe pertencia e chegou à conclusão de que não sabia reagir aquilo que estava a sua frente.
A ponte foi estabelecida e ele se conscientizou que durante toda a sua historia seus medos o comandaram. Como num filme, sua vida passou pela sua frente, fazendo-o perceber que sempre tinha sido dominado por aquele sentimento. O medo era seu grande predador, algo que o impedia de libertar-se, pois esse sentimento o corroia e limitava seus movimentos em direção aquilo que poderia ser a sua verdadeira liberdade. Tentava uma reação, mas não conseguia ser diferente, agir de outra forma porque jamais buscou sua origem e raízes.
Percebeu que tudo o que sempre temia, acabava acontecendo por absoluta falta de ação e sintonia com a sua imaginação e seu ser criativo. Era um robô programado pelos desejos de outros e não sabia lidar com as forças da natureza.
À medida que tudo acontecia, eu, a distância e a salvo, o observava. Podia vê-lo rodando em círculos, pensando nos medos, podia senti-lo perdido e abandonado àquele sentimento. Nada podia fazer a não ser concentrar minhas forças para que ele conseguisse ultrapassar seus limites e o medo que sentia dele mesmo, e encontrasse a sua força instintiva para salvá-lo daquele tormento.
Foi quando o Irmão Vento resolveu dar uma nova chance e lançou sobre ele uma rajada tão forte que o fez cair de quatro no chão. Podia vê-lo tentando se agarrar a algo, a alguma coisa para não ser arrastado pela correnteza do Vento forte. E ao se ver naquela condição, Guerreiro olhou para cima, para o Céu e clamou pela visão daquilo que poderia lhe salvar. Nossos olhos se encontraram e foi o suficiente para que ele se sentisse diferente, foi o suficiente para ele resgatar uma única lembrança em forma de sonho da sua infância e percebesse que poderia recomeçar um novo capítulo. Sua expressão facial mudou e ele conseguiu se levantar, ficar de pé no meio de tanta fumaça e desordem.
Nossos olhos se tocaram novamente e ali compartilhamos o mesmo sentimento e certeza. Lembrando de tudo o que tinha aprendido sobre liberdade e instinto ao me observar com os olhos do coração. A possibilidade de eu não estar mais vivo o fez perceber que nada era mais importante do que cumprir seu intento, viver sua liberdade de forma plena e intensa. A morte está a um braço de distância.
Ao me despedir pude perceber uma lágrima escorrendo em seus olhos e cada um seguiu seu caminho.
E eu aumentava minha velocidade de vôo, pelo simples prazer de me ver daquela forma e saber, que lá em baixo, em algum lugar daquela estrada rumo ao Norte, Guerreiro tinha encontrado seu Vento e colocado sua historia a limpo.
Voei o mais alto que pude e decidi ir para casa, sabia que agora o Guerreiro do Vento tinha encontrado o que tanto via em mim. A liberdade de poder decidir o que fazer com a própria vida e ter a consciência de que nada somos e com isso encarar, sem nos destruir, a solidão desafiadora da vastidão da Eternidade.
Vera Maria de Souza
Tanka
Quarta-feira, Agosto 09, 2006
Grand Father Clock
okina noppo no furu dokei/Esse grande relógio antigo
ojiisan no tokei/O relógio do vovô
hyakunen itsumo ugoiteita/por cem anos esteve sempre funcionando
gojimanno tokei sa/o mais querido relógio...
ojiisan no umareta asa ni/na manhã que o vovô nasceu
kattekita tokei sa/o relógio foi comprado
ima wa mou ugokanai sono tokei/agora, esse relógio não funciona mais
hyakunen yasumazuni/cem anos funcionando,sem descanso,tic-tac,tic-tac
chiku-taku chiku-taku/
ojiisan to ishhoni/junto com o vovô
chiku-taku chiku-taku
imawa mou ugokanai sono tokei/agora esse relógio está parado
nandemo shitteru furudokei/um antigo relógio que sabe td
ojiisan no tokei/o relógio do vovô
kireina hanayome yattekita/quando uma linda noiva surgiu
sono hi mo ugoiteta/nessa época tb estava funcionando
ureshii koto mo kanashii koto mo/as alegrias e as tristezas
mina shitteru tokei sa/esse relógio tem conhecimento de tudo
imawa mou ugokanai sono tokei/agora esse relógio está parado
ooh grandfather's clock tick-tock tick-tock
ooh grandfather's clock tick-tock tick-tock
ureshii koto mo kanashii koto mo
mina shitteru tokei sa
ima wa mou ugokanai sono tokei
mayonaka ni BELL ga natta ojiisan no tokei/no meio da madrugada o relógio tocou
owakare no toki ga kitano wo/mina ni oshietanosa/ensinando a todos a hora da partida
tengoku e noboru ojiisan tokei to mo owakare//agora que o vovô está no ceu, o vovô tb se despede
ima wa mou ugokanai sono tokei/agora já nao funciona mais,esse relógio
hyakunen yasumazu ni/cem anos sem descanso,tic-tac tic-tac
ojiisan to issho ni/junto com o vovô,tic-tac tic-tac
chiku-taku chiku-taku
ima wa mou ugokanai sono tokei/agora esse relógio está parado
ima wa mou ugokanai sono tokei/agora não funciona mais, esse relógio.
Domingo, Julho 16, 2006
(Editora Scortecci)
Vovô raspou a garganta, depois de alguns minutos, e começou a falar:
"Há muitos e muitos anos, houve um tempo em que os unicórnios eram comuns, assim como muitas outras criaturas, desaparecidas da face da terra, da vista dos homens ignorantes e pobres de espírito. Nesse tempo, vivia um mago nas montanhas. Ele morava sozinho e passava o seu tempo ocupado com meditações e estudos, à procura do caminho da luz. Ele se alimentava do que a floresta lhe oferecia e bebia água da fonte, que jorrava da montanha.
Um dia, à procura de ervas para preparar uma porção, ele tropeçou sobre uma pedra, caindo montanha abaixo, ficando gravemente ferido.
Dois unicórnio, um negro e um castanho, andavam pastando aos pés da montanha e encontraram o mago caído. Ele os implorou para levá-lo nas costas até sua cabana, montanha acima, pois tinha lá uma poção que lhe aliviaria as dores e curaria suas feridas.
Os dois, porém, não lhe deram ouvidos. Eles não queriam sujar o pêlo limpo e brilhante, com o sangue saído das feridas do mago e seguiram seu caminho, indiferentes aos seus gemidos.
Anoitecia e o mago já perdia as esperanças, quando ouviu um trote lento e irregular. Era um outro unicórnio, passando pelas montanhas.
O mago gritou por socorro. O unicórnio parou por alguns instantes, continuando, a seguir, seu caminho.
O mago gritou novamente. Novamente parou o unicórnio. Após alguns minutos, seu trotar desigual foi se fazendo mais forte aos ouvidos do mago, até os dois se verem face a face. O mago entã o implorou para levá-lo até sua cabana, como fizera com os outros dois unicórnios.
O unicórnio pareceu um tanto confuso com aquele pedido. Ele olhou para cima, estudando por alguns instantes o caminho e depois de muito pensar, resolveu atender, finalmente, ao pedido do mago.
A subida era íngreme e o unicórnio, levando o mago ferido nas costas, subia penosamente, parando de vez em quando para recuperar as forças. Quando chegaram à cabana, o mago desceu e se arrastando foi procurar imediatamente a porção que lhe curaria.
A porção era muito forte e o mago ao tomá-la, perdeu os sentidos. Quando se recuperou, ele saiu para agradecer ao unicórnio pela ajuda recebida.
A lua cheia saíra e iluminava a montanha. O mago ficou surpreso ao ver, à luz da lua, o unicórnio agonizante, caído a alguns passos da cabana. Ele correu na sua direção, pois já tinha recuperado as forças, e ao examiná-lo surpreendeu-se ainda mais: o unicórnio estava exausto e arquejava com dificuldade; seu pêlo branco estava sujo, manchado com o sangue do mago e pelo seu próprio sangue que lhe saía da pata ferida. Daí o seu caminhar lento e manco.
O mago quase não acreditava no que via. O unicórnio, mesmo ferido, não se negara a subir a montanha, levando-o nas costas.
Em agradecimento por ter salvo sua vida, o mago não somente tratou do unicórnio, curando-lhe as feridas e recuperando-lhe as forças, como também, transformou o seu chifre num chifre de ouro. O chifre possuía poderes mágicos e todas as pessoas que o tocassem, teriam a realização dos seus desejos."
Sábado, Maio 27, 2006
Quinta-feira, Maio 25, 2006
...
Mas as vz meu olhar que não enxerga nada ,
Diz que não
Aí vem a minha Alma
Que essa já sabe tudo
E espera paciente que eu me lembre
Insiste em dizer
Hoje é um lindo dia.
Então tá
Hj é um lindo dia ( eu com um sorriso amarelo)
Sexta-feira, Março 31, 2006
Lain
E você parece não entender
Uma pena.Você parecia um homem honesto
E todos os medos a que você se apega tanto,
se tornarão sussurros em seus ouvidos
E você sabe o que eles dizem podem te ferir
E você sabe o que significa muito
E você nem mesmo sente algo
Estou caindo
Estou desaparecendo
Eu perdi tudo
Estou caindo
Estou desaparecendo
Eu estou me afogando
ME ajude a respirar
Estou me machucando
Eu perdi tudo
Eu estou perdendo
Me ajude a respirarMúsica:Duvet , tema de Lain.
Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006
" "
Gostaria de pedir desculpas ao ´povo q tem me visitado e eu não estar visitando-os. :(
Estou sem net em casa, e estou tc rapidinho aqui da loja de meu pai,na qual apareço de vez em qdo,mais necessariamente por ocasião da minha terapia.
Espero que estejam todos bem, e que as palavras que escrevem se espalhem pelos quatro ventos com toda sua essência.
***
Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
Onde estão as bandas brasileiras?
A brincadeira começou como concurso de uma loja de discos dos EUA e virou sensação na internet.
O desafio: decifrar, entre as figuras de uma cena urbana, quais delas remetem a bandas e artistas de pop e rock. O desenho de um príncipe, por exemplo, revelava o cantor Prince ("príncipe", em inglês). Duas garotas se beijando formavam a banda Kiss (beijo). E assim por diante...
A coluna pegou carona no fenômeno e criou a versão brasileira do jogo. Na figura abaixo, estão "escondidos" 37 nomes da música brasileira, entre bandas e artistas, atuantes ou extintos, do rock ao funk. Assim como na versão americana, desafiamos os leitores com enigmas mais fáceis e outros complexos.
Ilustração Pepe Casals
fonte e resposta : http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0801200609.htmSÉRGIO DÁVILA (interino)
@ - sdavila@folhasp.com.br
COM JOÃO LUIZ VIEIRA E DANIEL BERGAMASCO
@ - bergamo@folhasp.com.br
Sexta-feira, Janeiro 06, 2006
Eros e Tanatos
Este conto se passa num bairro tranqüilo, onde não era perceptivo ventos tempestuosos por ali. Pura ilusão.
Os habitantes dali, aparentemente entediados com tudo aquilo, sussurravam sobre acontecimentos de uma determinada casa.
Os mais antigos habitantes daquele pacato bairro contam que aquela casa era habitada por fantasmas, e era normal ouvir estranhos gemidos, e ver luzes fantasmagóricas à noite.As crianças adoravam ouvir e os jovens adultos riam com essas histórias.
Quem entrasse naquela casa,seria surpreendido por tanta ostentação e aparente grandeza.Mas não havia ali,nada que inspirasse o visitante a ficar.Tudo parecia impessoal e frio.
Ali residia um casal seu filho único, a vó e empregados,que pareciam ter absorvido o frio ambiente daquela casa.Viviam como se nunca lhes acontecesse nada de bom. Tudo era tristeza por ali, apesar de sempre sorrirem e dizer que tudo estava há mil maravilhas, promoviam festas luxuosas e de muita pompa. Mas todos sentiam o falso bem estar que tentavam transmitir.
Receberam a visita de uma sobrinha que veio ficar uns dias com eles.
Foi então que uma fatalidade aconteceu. O filho do casal,Miguel,um jovem com seus 27 anos que morava ali ,veio a falecer.
"Overdose” - sussurravam.
Após alguns dias, de muita falação para lá e para cá.A família decidiu se mudar. Deixaram a casa para a sobrinha.
Miguel não compreendia onde se encontrava,parecia que ali não existia nada,
andava ,andava,e só se deparava com um imenso nada.Mas não estranhava muito ,acostumado como estava com suas delirantes alucinações por causa das drogas.Talvez tivesse exagerado um pouco daquela vez.
- “Você morreu, simplesmente".
"Heidy!" sussurrou o rapaz ,surpreso com a repentina aparição da moça e consigo mesmo, por cauda de sua lucidez. -”“Claro,eu morri!E você também.- resolveu entrar na loucura da sua prima,talvez ela estivesse "doidona" também. E sorriu ironicamente .
"-Vá embora!Não quero mais um fantasma me enchendo as paciências."
O sorriso de Miguel, deu lugar a uma expressão zombeteira e de incredulidade.
"fantasma?!Eita a menina tá com idéia fixa- pensava Miguel"
"-Você que deve ser o fantasma , que veio me assombrar,buuuuuu."
Dizendo isso, sentiu uma imensa canseira, e tristemente calmo sem aquela costumeira irritação e ódio por tudo e por todos.
Continuaram discutindo por um bom tempo, e Heidy já não aguentava mais,num gesto impensado,pegou seu molho de chaves e jogou em direção de Miguel.
Miguel parecia estar vivendo aquele momento em câmera lenta,estendeu as mãos para pegar as chaves,mas não conseguiu.As chaves simplesmente passaram através dele ,como se ele nem estivesse ali.
Ele ficou atônito demorou alguns segundos para entender o que tinha acontecido.E começou a tremer,os olhos vidrados, para finalmente soltar uma risada histérica.O som ecoou pela casa e pelo bairro inteiro. A voz acusatória martelava em sua cabeça ,como uma sentença cruel: -"Que existência tinha sido aquela?"
Miguel se encontrou novamente num imenso nada, só o frio e a escuridão lhe faziam companhia.Em desespero sentou,abraçando os joelhos ,mas a angústia foi dando lugar ao vazio,ao esquecimento,ao nada.
Heidy sentia sua pele queimar ao segurar as chaves . Mas estava atordoada demais para reagir àquela dor.Tinha sentido e visto tudo o que aquele rapaz poderia ter sido e não foi.Tudo o que poderia ter feito e não fez. Tinha visto a grandiosa missão daquela alma que não tinha se entendido e que nem o compreenderam. E sentiu o extremo máximo da carência e incompreensão.
"Por que tinha que viver e sentir toda essa situação?"
Nunca um "fantasma" (Heidy denominava os espíritos que já não mais estão nessa dimensão assim) havia deixado-a tão transtornada.
interagindo numa lembrança de Miguel:
Crianças brincavam no parque...Um menino chorava sentado num banco.
"Ei menino, por que está chorando?"
O menino a fitou e ela pôde ver toda a dor e com surpresa a angústia de perguntas que poderiam enlouquecer um adulto!
“-Meu pai era um sonhador.Ele preferiu morrer a matar!Eu odeio a guerra”.
Outro lugar, outro tempo.
Um adolescente bêbado num bar.
Ele falava palavras desconexas,jogava altas notas de dinheiro no ar e berrava numa voz pastosa;
"-Peguem,peguem.Mandaram meu pai para a morte ,por causa disso,HAHAHA,por causa dessa montoeira de papéis !"- falava com desprezo,com ódio,com tristeza.
(Heidy conseguiu entender que manipularam o pai de Miguel para que fosse para a guerra e pagaram para mata-lo.Assim herdariam toda a herança.)
Outra lembrança, outro tempo.
Miguel,feliz,prestes a fechar acordo com uma gravadora .Finalmente o sonho de seu pai seguia continuidade.
Dia seguinte...
Chamas,fumaça,fogo.
Todas as cópias, cds, partituras,letras,fotos,as lembranças de seu pai levadas no
arder do fogo .
Miguel retorna ao vício,em um acesso de raiva,destrói todas suas pinturas,seus textos,esculturas,projetos .Tudo reduzido a uma confusão de coisas destroçadas.
Heidy estava zonza com tudo aquilo.Algo gritava dentro dela para que fizesse alguma coisa .Sabia que se não fizesse nada,Miguel simplesmente deixaria de existir. Ele se extinguiria ao nada...
E isso ela não podia permitir.
Ficou um tempão andando de lá para cá,roendo as unhas nervosamente ,tentou evocar as imagens de Miguel,chamando-o novamente para junto de si,mas nada acontecia.
Resolveu andar um pouco,nas calçadas da cidade, para ver se alguma "brilhante" idéia vinha-lhe na mente.
Pegou ônibus, metrô,andou ,andou e andou.
Na andança pela cidade,avistou uma igreja católica,evangélica,templos budistas,espaços de religiões pagãs,lembrou-se de alguns textos,missas que ela tinha ido, o que diziam sobre as orações...
...Todos eles tinham em comum a oração. Cada um de seu jeito,com suas verdades, mas sempre com o intento de se conectar com Deus.
Heidy não sabia nenhuma oração pronta. Preferia conversar a seu modo com o Todo.
(era assim que Heidy gostava de chamar Deus,que para ela assim já englobava o Grande Espírito,a Deusa,todos os seus aspectos, mensageiros e deidades.)
Pediu para que jogasse um pouco de Luz em seu caminho, pediu por Miguel,e por todos que caminhavam na escuridão,para que os envolvessem com o Seu imenso amor,tirando-os do abismo que se encontravam.
Foi então que um senhor se aproximou de Heidy.
"Ah,não!Mais um fantasma"-pensou ,já acostumada com aquela sensação.Mas,quando se virou e o viu mais de perto soube que era o pai de Miguel.
Ele trazia um objeto nas mãos ,era um CD,entregou a Heidy e desapareceu.
"-Grande ajuda"-resmungou Heidy,pegando um táxi.Chegando em seu castelo mal assombrado(era assim o apelido que Heidy deu a casa doada pela sua tia) foi a seu quarto ouvir o CD.
O quarto foi inundado por uma música que mesclava sons de violinos,vento,água,e uma voz que cantava sobre os sonhos dos homens,sobre o desejo dos anjos e sobre a intenção dos Deuses.Era uma mistura de todos os ritmos, mas que se unia em um, composta em tal harmonia que Heidy estava debulhada em lágrimas ,pois nunca havia escutado algo tão belo e indescritível.
Duas fortes presenças também escutavam embevecidas a música.
Miguel saindo de seu torpor ,ouvia a música.
E a saudade,as lembranças, os medos,as alegrias...Veio como tudo em sua mente.Os olhos adquiriram um tênue brilho de vida.
Mas logo que a música cessou o brilho em teus olhos também se apagou.
Heidy observou Miguel e observou a presença daquelas duas forças.Estava ficando grogue diante de tanta energia e podia quase tocar o atrito e a tensão que sentia no ar.
Identificou as duas imensas forças diante de si.
Eros e Tânatos da mitologia grega.
***
Podia sentir a aura e todo o ser de Miguel se transformando no Nada.
Enquanto isso os dois Deuses se olhavam , naquele eterno confronto entre duas forças opostas.
Heidy perguntou a Tânatos;
"Por que não deixa Eros salvar Miguel?"
"Não posso seguir o que Eros diz,tenho o meu dever a cumprir.Você não imagina como o mundo ficou quando dei ouvidos a Hypnos e ele me fez adormecer.Eros não me daria passagem se eu o deixasse fazer o que quer"
E perguntou a Eros;
"Por que não faz nada?"
"Tânatos não me permite.Mas se eu conseguisse passar por ele.não mais permitia que a Morte enegrecesse o Amor."
E ficaram assim em silenciosa discussão.
E Miguel ia segundo a segundo partindo para a inexistência.
Heidy em desespero gritou a eles;
"-Parem com isso!Como podem não enxergar? "-e esquecendo se totalmente estar diante de dois deuses se postou em frente a Tantos e gritou:-"Você não pode seguir com seu ciclo sem Eros!"
Tânatos estava surpreso,nunca alguém,muito menos uma mortal havia falado assim com ele.
Mas Heidy só pensava em Miguel e no sentido da vida.
E tomando um novo fôlego apontou seu dedo para Eros e disse;
"-E você deixa de existir sem Tânatos! E você não está deixando ele escolher."-disse,apontando para Miguel.
"Estão desrespeitando o ciclo natural que tanto prezam!Ele viveu a vida inteira sobre sua influência ,Tânatos.Agora precisa de Eros.!E pelo amor de Deus,vocês escutaram quase em sublime êxtase a música do pai de Miguel,não são tão diferentes assim!"-esbaforida e exausta ,Heidy pega a imensa mão que era pura Luz de Eros e a imensa mão que era pura escuridão de Tânatos e juntou os dois.
Heidy quase pensou que fosse morrer,viu estrelas,o céu ,a Lua,o Sol,o rosto do Vento,
e soube todas as línguas do Universo.Viu também, o horror,o vazio,o pânico,a língua proibida das Trevas.
Tudo se irrompeu em Luz,faíscas,escuridão.
E Heidy desmaiou.
Acordou com Miguel que estava com um bebê nos braços e o pai dele olhando-a.
"-Da explosão entre Eros e Tânatos originou-se essa linda menininha."
Miguel entregou o bebê a Heidy e com um brilho diferente no olhar disse que tinha certeza que ela iria cuidar direitinho da menininha.
“-Os sonhos de meu pai iriam ser destruídos junto comigo, se eu me juntasse ao nada.Agora os sonhos dele se tornaram ainda maiores junto com os meus.E agora continuarão ainda maiores com a Melódica Compaixão”.
Miguel se aproximou até ficar a poucos centímetros do rosto de Heidy,e disse com intensidade:
"-Obrigado" - a voz dele saiu rouca -"Você é muito especial"
Heidy sentiu um imenso aperto no peito ao ver os dois partirem.Pegou o bebê no colo, e foi em direção a cozinha;
-Até parece que eu vou deixar você com esse nome.Você pode até ser uma Melódica Compaixão “mas vai ter outro nome.” -disse,colocando água para ferver e tentando achar alguma mamadeira .
Quando já estava dando leite ao nenê.Percebeu a presença de vários visitantes.Que flutuavam para lá e para cá.\
"-Vamos ter bastante trabalho,menininha!"
[E então finalmente se pode entender a Morte Transformadora que tocada por Eros,ia rumo a transcendência. E a Morte Destruidora,estagnada,que ausente de Eros, deixava o vazio,a inércia ,e inexistência e o nada..'.']
Quinta-feira, Dezembro 29, 2005
Desejos
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar
E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo
Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.
Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Q ue existem oprimidos, i njustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Q ue você afague um gato, a limente um cuco
E ouça o joão-de-barro
E rguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada
Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem
Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar
Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar
E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar
Sábado, Julho 09, 2005
Segunda-feira, Julho 04, 2005
Girassol
Na mitologia, diz-se de uma ninfa que se apaixonou por Apolo o deus Sol.Encantada com seus raios dourados,sua intensidade e seu calor.Mas Apolo,a ignorava completamente.A ninfa dia após dia não se cansava de contemplá-lo,de tentar agradá-lo em busca de um mínimo de atenção,mas sem resultados.
O peso da rejeição e a grande tristeza a consumia visivelmente,sua única alegria era poder sentir os raios dourados em seu rosto e expandido em toda a sua volta.A ninfa já não se alimentava e ela foi definhando dia após dia.
Certo dia a ninfa já não se encontrava onde costumava estar,ali estava uma linda flor,que se movimentava como se o seu guia fosse o sol.
Quinta-feira, Junho 30, 2005
Sábado, Junho 04, 2005
Síntese daquilo que já passou
De onde você veio...
"...apenas determina o que você é, mas não quem você é"
Balto 2
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Ninguém quer morrer de verdade,todos anseiam desesperadamente serem felizes, mas colocaram tanta tranqueira dentro,e eu pelo menos admito,grudei tanta confusão dentro de mim que;sim,a ilusão de uma morte as vezes é a única solução.Quem nunca passou por isso pode tentar entender, mas acho dificil compreender realmente.
Achei interessante o texto abaixo, tendo como exemplo os ratinhos.O que leva as pessoas a ataques insanos de violencia a outros e a si mesmo.
Tudo é um grito desesperado de ajuda.
E enxergar esse pedido...
é enxergar um vale sombrio por um prisma diferente.
texto completo no link ao lado "suícidio"
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"...No mito grego, Psiquê é duramente punida por ter duvidado da beleza de Eros. Tendo ouvido as irmãs dizerem que ele era um monstro, contrariou o desejo de Eros, que queria ser amado sem ser visto, e iluminou o corpo dele na escuridão. A gota de óleo quente, que caiu no ombro do mensageiro do amor, a denunciou, e o amado desapareceu. Para recuperá-lo, Psiquê foi obrigada a atravessar o inferno..."
Betty Milan
texto completo no link "A beleza no amor"
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"...Cansado de deitar-se na luz do sol
De ficar em casa observando a chuva
Você é jovem e a vida é longa
Há tempo de viver o hoje
E depois, um dia você descobrirá
Que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr
Você perdeu o tiro de partida ..."
tradução da música Time-Pink Floyd
texto completo no link "Letra de uma música"
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...Vá até um espelho.
E me conte, O que vê?
Vamos não se acanhe,
Pegue esse chocolate quente
Temos este post inteiro.
Sem pressa.
Tecle para mim.
Será que podes me responder.
Quem é Você?...
texto completo no link "Quem é você?"
Sexta-feira, Junho 03, 2005
Letra de uma música
Time (tradução)
Pink Floyd
Composição: Mason, Waters, Wright, Gilmour
Tempo
As horas passam marcando os momentos
Que se vão, que formam um dia monótono
Você desperdiça e perde as horas
De uma maneira descontrolada
Perambulando num pedaço de terra
Na sua cidade natal
Esperando alguém ou algo
Que venha mostrar-lhe o caminho
Cansado de deitar-se na luz do sol
De ficar em casa observando a chuva
Você é jovem e a vida é longa
Há tempo de viver o hoje
E depois, um dia você descobrirá
Que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr
Você perdeu o tiro de partida
E você corre e corre para alcançar o sol
Mas ele está indo embora no horizonte
E girando ao redor da Terra para se levantar
Atrás de você outra vez
O sol permanece, relativamente, o mesmo
Mas você está mais velho
Com o fôlego mais curto
E a cada dia mais próximo da morte
Cada ano está ficando mais curto
Nunca você parece ter tempo.
Planos que tampouco deram em nada
Ou em meia página de linhas rabiscadas
Insistindo num desespero quieto
É a maneira inglesa
O tempo se foi, a canção terminou
Pensei que tivesse algo mais a dizer
Quarta-feira, Junho 01, 2005
suicidio
Achei interessante o texto abaixo, tendo como exemplo os ratinhos.O que leva as pessoas a ataques insanos de violencia a outros e a si mesmo.
Tudo é um grito desesperado de ajuda.
E enxergar esse pedido...
é enxergar um vale sombrio por um prisma diferente.
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Folha Sinapse-A forma escolar da tortura
[...Isolamento, caçoada, apelidos.
Aprendemos com os animais. Um ratinho preso numa gaiola absorve a informação rapidamente. Uma alavanca lhe dá comida. Outra alavanca produz choques. Depois de dois choques, o ratinho não mais tocará a alavanca que produz choques. Mas tocará a alavanca da comida sempre que tiver fome. As experiências de dor produzem afastamento. O ratinho continuará a não tocar a alavanca que produz choque ainda que os psicólogos que fazem o experimento tenham desligado o choque e tenham ligado a alavanca à comida.
Experiências de dor bloqueiam o desejo de explorar. O fato é que o mundo do ratinho ficou ordenado. Ele sabe o que fazer. Imaginem, agora, que uns psicólogos sádicos resolvam submeter o ratinho a uma experiência de horror: ele levará choques em lugares e momentos imprevistos ainda que não toque em nada. O ratinho está perdido. Ele não tem formas de organizar o seu mundo. Não há nada que ele possa fazer. Seus desejos, imagino, seriam dois. Primeiro: destruir a gaiola, se pudesse, e fugir. Isso não sendo possível, ele optaria pelo suicídio. Edimar era um jovem tímido de 18 anos que vivia na cidade de Taiúva, no Estado de São Paulo. Seus colegas fizeram-no motivo de chacota porque ele era muito gordo. Puseram-lhe os apelidos de "gordo", "mongolóide", "elefante cor-de-rosa" e "vinagrão", por tomar vinagre de maçã todos os dias, no seu esforço para emagrecer. No dia 27 de janeiro de 2003, ele entrou na escola armado e atirou contra seis alunos, uma professora e o zelador, matando-se a seguir.
Luis Antônio era um garoto de 11 anos. Mudando-se de Natal para Recife por causa do seu sotaque, passou a ser objeto da violência de colegas. Batiam nele, empurravam-no, davam-lhe murros e chutes. Na manhã do dia fatídico, antes do início das aulas, apanhou de alguns meninos que o ameaçaram com a "hora da saída". Por volta das 10h30, saiu correndo da escola e nunca mais foi visto. Um corpo com características semelhantes ao dele, em estado de putrefação, foi conduzido ao IML (Instituto Médico Legal) para perícia.
Achei que seria próprio falar sobre o "bullying" na seqüência do meu artigo sobre o tato que se iniciou com: "O tato é o sentido que marca, no corpo, a divisa entre os deuses Eros, do amor, e Tânatos, da morte. É por meio do tato que o amor se realiza. É no lugar do tato que a tortura acontece". O "bullying" é a forma escolar da tortura.
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Rubem Alves , 71, é um pensador desorganizado. Acabou de ler o livro "Fenômeno Bullying", de Cleo Fante (Verus, 224 págs., R$ 22,90). A leitura desse livro, que considera obrigatória, o provocou a escrever este artigo.]
Texto completo em: A forma escolar da tortura
A beleza no amor
Torço para você escolher o meu e-mail, pois não tenho com quem conversar. Sinto, pelo fato de não ser bonita, que a minha vida não é completa. Não me acho feia, mas não sou do tipo que atrai olhares masculinos. Falta-me sensualidade, harmonia, aquele algo a mais. Procuro mudar o que não gosto na minha aparência. Mas tenho consciência de que nunca despertarei a atenção dos homens. Posso ser feliz?
O belo para Kant é aquilo que agrada a todos. Já outros filósofos consideram que não é possível encontrar uma característica comum a todas as coisas ditas belas. Desse ponto de vista, o belo diz respeito ao que agrada numa época ou a um grupo determinado.
Para você, ser bonita é ser uma mulher disputada. Se você chamasse a atenção dos homens, estaria feliz. Não é o caso. “Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor” é a sua canção de hoje.
Provavelmente porque você não gosta da sua aparência. Por ter uma idéia da beleza que o espelho nega. Uma idéia que alguém te transmitiu ou que a moda promove e te faz viver uma relação infeliz com você mesma. Quem não gosta de si não aceita ser amado porque tende a fazer pouco do amor do outro: Como pode esse outro gostar de uma pessoa tão pouco atrativa como eu?
Quando a sua relação com você mudar, o amor se tornará possível. E eu afirmaria isso ainda que você se dissesse feia, pois o amor ignora a feiúra. Que importância tem ela se o que o amante diz ninguém diz? Se a simples presença do amado faz ver as cores do arco-íris? Para quem ama, o amado é invariavelmente belo.
No mito grego, Psiquê é duramente punida por ter duvidado da beleza de Eros. Tendo ouvido as irmãs dizerem que ele era um monstro, contrariou o desejo de Eros, que queria ser amado sem ser visto, e iluminou o corpo dele na escuridão. A gota de óleo quente, que caiu no ombro do mensageiro do amor, a denunciou, e o amado desapareceu. Para recuperá-lo, Psiquê foi obrigada a atravessar o inferno.
A beleza pela qual os amantes estão concernidos não é a que a moda exalta ou a que o espelho confirma, mas a beleza continuamente surpreendente que escorre com o mel do amor.
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Cartas para o e-mail: bmilan@folhasp.com.br.
As questões serão selecionadas e respondidas neste espaço, sem identificação do remetente.
Fonte: Folha de São Paulo /Revista da Folha de 29/05/2005
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Sábado, Maio 21, 2005
Quem é você?
inspirado num poema de um livro de Og Mandino
Ei,psiu!
Sim!Você mesma(o) !
Respire fundo.
Pare o que está fazendo.
Vá até um espelho.
E me conte, O que vê?
Vamos não se acanhe,
Pegue esse chocolate quente
Temos este post inteiro.
Sem pressa.
Tecle para mim.
Será que podes me responder.
Quem é Você?
Não,não quero saber se és rico
Se está desempregado,ou
Andou brigando com alguém.
Apenas me conte,
O que vê.
O que viu.
O que o rosto no espelho
Te Falou.








